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  |  15/abr, 2016  |  Última atualização em 20/abr, 2016 às 21:18

Campina Grande é a Capital da Inventividade e da Inovação!

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Por Mauro Nunes

“A inventividade e a inovação são conceitos que inspiram diuturnamente a criatividade campinense”

Campina Grande, minha terra, 151 anos. Meu primeiro filho nasceu quando Campina completou 100 anos … de inventividade. Como caminheiro incorrigível me ocorreu uma reflexão elementar: em quanto será acrescida à inventividade de Campina Grande nos próximos dez anos?

Como campinense – o espírito jamais abandona o berço – fui testemunha presencial e participativa, em vários momentos, da criatividade e do talento empreendedor dos filhos da bela e acolhedora cidade de Campina Grande.

Mesmo aqueles que o são de coração, incorporam em pouco tempo o caldo da cultura criativa, sempre em ebulição e evolução na mente dos que adotaram Campina como abrigo de suas culturas inovadoras e revolucionárias para a cidade, para o Brasil e para o mundo.

Há 49 anos, no mês de março, mais precisamente em 1967, vi nascer em Campina Grande o SEBRAE Nacional. Poucos sabem disso. Leiam a seguir um resumo dos acontecimentos à época. Eu estive lá! Eu estava lá! Posso afirmar: “Meninas e Meninos de todas as idades, eu vi!”

O primeiro programa de apoio aos pequenos negócios no Brasil deu ali seus primeiros passos, por iniciativa de um pequeno número de professores. O espírito lúcido e empreendedor do Professor Lynaldo Cavalcanti, Diretor da Escola Politécnica cedeu uma sala que estava sendo desocupada por americanos que faziam parte de um Projeto denominado RITA – Rural Industrial Technical Assistence, mais conhecido na Região Nordeste por Projeto RITA.

Os visitantes dos EEUU produziam naquela sala perfis de oportunidades de negócios industriais. Deixaram três ou quatro estudos! Professor Lynaldo tinha acabado de receber dois professores visitantes diplomados pelo ITA – Instituto Tecnológico da Aeronáutica, considerada uma das melhores Escolas de nível superior do país. E me incluiu nesse desafio para, com os Professores do ITA, avaliarmos os estudos americanos e darmos um destino objetivo para os mesmos.

Ao longo de nossas reuniões com os textos produzidos uma pergunta foi fundamental para que fizemos uma escolha: “por que os americanos escolheram realizar perfis de oportunidades apenas para grandes indústrias se a Região Nordeste e a Paraíba em particular detinham mais de 99,0% de pequenas, muito pequenas e médias indústrias? ”

A resposta à pergunta que nunca quis calar foi a criação de um Programa de Apoio às Pequenas e Médias Indústrias da Paraíba que, com total apoio do Diretor Lynaldo Cavalcanti e principalmente do Governador, à época, Dr. João Agripino, que foi batizado de Núcleo de Assistência Industrial – NAI/PB.

Esta é uma das inventividades e inovações campinenses pouco divulgadas e disseminadas. Este Programa depois estendeu-se, com o apoio decisivo do Governador e da SUDENE-Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, por toda a Região Nordeste. A história está contada, em sua inteireza, em texto que foi produzido, por encomenda do SEBRAE/PB, pelo competente jornalista Adalberto Barreto e o autor deste texto. Tenho a mais absoluta convicção em informar, em alto e bom som, que o Sistema SEBRAE nasceu em Campina Grande, em março de 1967. Eu estava lá, participando de todo o processo de criação do NAI/PB – Núcleo de Assistência Industrial da Paraíba, com belas histórias para contar!

A equipe, chamada de “Artesãos de um Ideal na Névoa do Tempo” concebeu, estruturou e formatou o Programa de Assistência às Pequenas e Médias Indústrias da Paraíba, criando um elenco de instrumentos de apoio simultâneo aos pequenos e médios empreendedores industriais: Treinamento /Capacitação, Assistência Técnica/Consultoria e Crédito Orientado.

Esse tripé, pensado, refletido, mentalizado e amadurecido a partir de março de 1967, e que permanece até hoje como alicerce central dos programas de apoio aos pequenos negócios administrado pelo Sistema SEBRAE em todo o país. O SEBRAE Nacional só foi efetiva e institucionalmente criado em 1972, cinco anos depois da iniciativa campinense, .

Participei, com muita honra e orgulho, da equipe que concebeu e gerou o embrião do que é hoje o Sistema Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, nucleado pelo SEBRAE, a partir de Brasília.

Ainda com Lynaldo Cavalcante e apoio do Governador João Agripino Campina Grande foi a primeira cidade do Nordeste a receber um computador. Imagine como seria sua vida se você precisasse de uma enorme sala para conseguir armazenar um equipamento daquele tamanho. Logicamente isso seria impossível, pois os primeiros computadores, como o ENIAC e o UNIVAC eram destinados apenas a funções de cálculos, sendo utilizados para resolução de problemas específicos. Pois, Campina Grande no início da década de 60 recebia um desses computadores. Pioneira no Nordeste, mais uma vez!

Em Campina também nasceu a primeira companhia de desenvolvimento industrial do Estado, – a CINGRA – Companhia de Industrialização de Campina Grande. Que certamente inspirou a criação da CINEP, antes denominada de Companhia de Industrialização do Estado da Paraíba, com mesmo objetivo, mesma linha de ação e operando no âmbito estadual.

E outras iniciativas foram, pioneiramente, concebidas e implantadas por campinenses em sua terra Campina Grande, inspirando ações de gestores que tomaram decisões encontradas nos escaninhos do governo do Estado, muitas delas fundamentada nas iniciativas inovadoras dos campinenses.

Antecipando-se, o que soe acontecer com os espíritos criativos, Campina Grande organizou a primeira empresa de telefonia do Estado, a TELINGRA. A primeira de águas, a SANESA. Criou a Fundação Universidade Regional do Nordeste, hoje Universidade Estadual da Paraíba.

Os campinenses criaram o museu Assis Chateaubriand, com um dos maiores acervos da Região e do Brasil. Com apoio do  Governo os campinenses e os paraibanos foram contemplados com um Centro de Cultura e Arte a partir da reestruturação de prédio histórico, parte integrante da evolução da cidade, o Cine São José. Uma oferta merecida pela tendência e formação cultural de Campina Grande.

Foi em Campina que se instalou o Centro Nacional do Algodão – CNA. Também lá foi criada a primeira Bolsa de Mercadorias do Nordeste. E implantado, após vários estudos realizados a partir de Campina Grande, o Centro Nacional de Tecnologia do Couro e do Calçado, atendendo demandas tecnológicas e capacitação na produção de todo o país.

Campina Grande é uma cidade que cresceu, evoluiu, amadureceu e se desenvolve a partir da iniciativa, da criatividade, da inventividade e do zelo desprendido dos seus cidadãos.

Defende com ardor e ênfase seus projetos, ao tempo em que acolhe, de bom grado, a todos que se unam aos seus esforços para empreender no sentido do progresso da sua gente e da sua comunidade.Recentemente com certeiro apoio do Governo implantou o CITTA – Centro de Inovação Tecnológica Telmo Araújo. Importante Centro para estudos de criatividade e inovação nos segmentos de tecnologia, em particular nas áreas de hardware e software. A cidade Campina Grande já é internacionalmente reconhecida como “Polo de Software” dos que mais evoluem em todo o planeta!

Não é apenas figura de retórica dizer que ser campinense é um estado de espírito.

Um passeio por sua história demonstra a forma entusiasmada e brilhante como os campinenses ao longo do tempo, sempre e permanentemente, vem construindo uma sociedade firme, madura, criativa, inovadora. Assentada no alto teor de inventividade de seu povo, tendo como plataforma central seu reconhecido – inclusive internacionalmente – espírito empreendedor.

É verdade! O campinense inventou, inventa e reinventa, a cada instante, o seu próprio desenvolvimento! E o faz a partir da criação e recriação de meios, fórmulas e métodos por ele mesmo concebidos. A sua autenticidade é inigualável e a sua cultura peculiar. Os empreendedores campinenses transformam as idéias em projetos reais.

Em suas atitudes e iniciativas percebe-se clara sintonia com o pensamento do Padre Antonio Vieira, orador da retórica seiscentista. O Padre Vieira dizia que para falar ao vento, bastam palavras, mas para falar às mentes e aos corações são necessárias obras.

O campinense cria, recria, constrói e reconstrói muitas vezes sem participação de governo. Sua cultura é da iniciativa privada. São ações, marcadas não apenas pela realização do possível, mas pelo permanente busca de viabilizar o impossível. O que falo em minhas palestras o campinense faz acontecer concretamente “O difícil farei já, o impossível daqui a pouco!”

Existe um grande diferencial entre a iniciativa privada nascida do cadinho criativo do campinense e a ansiedade política de ocupar o poder.

Que os campinenses continuem – para orgulho de todo o Estado – a alimentar a ousadia, a coragem e a inventividade. E a estimular a capacidade de seu povo em empreender e perseguir sonhos.

Tenho forte sentimento de que a Campina das décadas de 60, 70 e 80 era mais dinâmica, criativa, ousada, inventiva. É fundamental que encontre a retomada desse caminho. E certamente, farão, como sempre tiveram a iniciativa de reproduzirem e recriarem suas próprias inovações e inventividades.

Sem o diagnóstico do que provocou a mudança tenho a convicção de que seu povo, se não houver estorvo, saberá, com sabedoria se reinventar.

Esse sentimento acompanha, contudo, a mais absoluta convicção de que o campinense com sua altivez a criatividade sabe diferenciar palavras de obras e ter muita clareza quanto à preservação do seu maior patrimônio: SER A CAPITAL da INVENTIVIDADE e da INOVAÇÃO.

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1 Comentário + COMENTAR

  • Olá Mauro!
    Um ótimo artigo que, norteado de poesia, reflete o espírito campinense. Passei somente alguns dias em Campina Grande para minha pesquisa de campo, mas não pude deixar de sentir a energia e otimismo que habita esta cidade. Estou certa de que, assim como eu, muitos de nossa geração ainda serão inspirados pelo espírito inventivo do povo campinense.

    Obrigada pela indicação do artigo e minhas saudações a Rainha da Borborema!
    Sabrina

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